“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz. Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha? Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.” Eclesiastes 3:1-10
Hoje estou profundamente triste! É um sentimento entranhado em mim, que as vezes aflora sobre minha alegria perene. Existe desde aquele dia fatídico em Outubro de 2004, quando a convivência diária com os meus filhos me foi negada.
Tenho o grato prazer de ser pais das duas criaturas mais lindas, fofas, teimosas, e birrentas da face da Terra. Meu querido Lucas é um menino forte, já com 11 anos, sorriso de dentes grandes e cabela sempre raspado. Excelente em matemática, e educação física. Extremamente agitado e carinhoso. Super competitivo, não gosta de perder absolutamente em nada. Exímio jogador de xadrez, onde realmente se aplica. Irá participar de um campeonato a partir de amanhã. O primeiro regional, pode se classificar para o estadual e assim vai. Confio nele. Sei que pode ganhar. Mas gostaria de ensiná-lo a perder com mais dignidade também. Mas ele não gosta de perder, como disse é muito competitivo. Já a minha princesa chama-se Isabella. Linda, absolutamente linda com suas sardas, sorriso largo, e olhos grandes e brilhantes. Serelepe e teimosa. Até hoje quando está com sono fica de mal humor e começa a se aninhar nos meus braços sem pedir licença. Finjo que não quero pegá-la só para ver a insistência dela. Não é preciso dizer que ela sempre vence.
Estes são os meus amores. Eles fazem o meu amor. Amor este que não conhece nenhuma barreira. Por este amor moro longe dos familiares que me fazem tanta falta. Que faz com que eu os repreenda quando necessário e normalmente brinque como uma criança. Que me permite jogar Pro Evolution Soccer 2009 com meu filho, e brincar de Barbie, de escola e de casinha com a minha filha. Que me dá força para sair em um dia no qual os termômetros marcam 14 °C, mas a sensação térmica na sombra mais o vento é de 2 °C. Amo estas crianças, são elas que me fazem sair da cama à noite. Que fazem com que eu durma às 02:00 da madrugada velando por eles e acorde às 07:00 para preparar o café fresco com leite-condensado que eles gostam.
Hoje acabou meu período de férias escolares. Eu mudei de emprego há exato 1 mês, e hoje eu estou sem meus filhos amados. Após 10 dias de alegrias e brigas, dicussões e piadas. De escutar o elogio ao macarrão do papai, segundo eles o meu penne com molho de azeitona e calabresas é o melhor do mundo. De receber um café da manhã em um domingo no qual acordei com dor de cabeça. De poder domir com um de cada lado me apertando. De poder cobri-los mais de 15 vezes nas noites frias, nas camas deles. E ir enfim dormir na minha. De ficar com o coração na boca toda vez que meu guri vai na padaria a duas esquinas de casa.
Não venho (re)clamar ser o melhor, nem tenho a prepotência de ser o maior pai de todos (este é o meu pai com toda a certeza). Também não venho falar que eu tinha razão ou não. Não quero falar dos meus erros, nem daqueles que foram cometidos pela minha ex-mulher. Apenas quero expressar meu profundo e sincero amor pelos meus filhos. Meu relacionamento com minha ex-mulher impede que meu relacionamento com eles seja mais próximo. Apenas os dias definidos de visita. Os vejo a cada 15 dias, e dou umas escapadas antes disso para ir vê-los na escola. Entrei para a Associação de Pais e Professores da escola deles, assim sempre posso saber como estão. Todo mundo sempre pense em primeiro lugar nas crianças (e isso eu acho correto, apesar do peso usado para medir ser distorcido), depois pensam na mãe. Pobre pai, num mundo onde a igualdade entre os seres humanos é pregado ele fica relegado a segundo plano.Que dia ingrato, que dia triste. Quando algém simplesmente te anuncia que você está “impedido” de ter livre acesso aos filhos que você gerou, viu crescer, alimentou, trocou fraldas, enfim, amou. Após aquela segunda-feira terrível, foram três dias sem me alimentar ou dormir. Onde a única coisa existente foram lágrimas e dor.
Hoje mais uma vez acabou. Será mais um longo período até as próximas férias. Mais um período no qual me sinto vazio. Mais um período no qual sinto solidão. Mais um período no qual eles me farão falta. Filho apenas gostaria de dizer o quanto amo vocês, mais uma vez… ainda hoje. Sei que nem mesmo vocês lerão estas palavras. Mas elas ficam aqui guardadas, para tempos futuros… para o amanhã que ainda não chegou. Peço desculpas por estas palavras mal escritas, mas precisava desabafar. O desabafo de um pai que ama os filhos. Apenas isso, simples assim.
Tenho uma fé inabalável em Jesus Cristo. E sei que ele me sustentará em todas as áreas. Sei que ele está acima das minhas próprias crianças, pois foi ele mesmo quem planejou e me deu estes dois presentes, estas duas dádivas. Apenas me resta orar a ti, Meu Deus, pelos meus filhos queridos. Mais uma vez digo o principal. Lucas e Isabella, os amo, muito. Muito mesmo. Com muito amor para dar para vocês ainda, papai Luciano.
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